Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de novembro de 2022 · 3 min de leitura ·

Laika: 65 anos atrás, uma cadela de rua abria caminho para a conquista humana do espaço

Laika: 65 anos atrás, uma cadela de rua abria caminho para a conquista humana do espaço

Há 65 anos, um mês depois do lançamento do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial da Terra, os soviéticos assombraram novamente o mundo com o lançamento do Sputnik 2, que levava a cadela Laika, o primeiro ser vivo no espaço. Laika, que morreu orbitando a Terra, até hoje é tratada como uma heroína nacional. Mas, ao mesmo tempo em que enche de orgulho os russos, também é uma triste lembrança que envergonha muita gente. Isso porque, desde o primeiro momento, os soviéticos sabiam que ela não sobreviveria à missão.

Laika estava em um grupo de dez cães retirados das ruas de Moscou pelo Programa Espacial Soviético. Cada um deles passou por uma bateria de testes e Laika foi selecionada para entrar para a história. Ela era a pet-cosmonauta perfeita: porte ideal para o tamanho da cápsula, pêlo curto, o que facilitaria a fixação de eletrodos, era dócil, obediente e mostrou um excelente condicionamento físico, o que seria essencial para enfrentar as condições extremas que a missão exigia.

A cadela foi submetida a um rígido treinamento e se saiu muito bem. Ela parecia bem à vontade em sua cápsula espacial e reagia com naturalidade às simulações de ruído, vibração e aceleração que ela seria submetida durante a viagem.

A cápsula da Sputnik 2 pesava cerca de 500 kg e tinha forma de cone, com 4 metros de altura e 2 metros de diâmetro na base. Dentro do cone, a nave tinha vários compartimentos para transmissores de rádio, um sistema de telemetria, uma unidade de programação, um sistema de regeneração e controle de temperatura para a cabine e instrumentos científicos.

Os instrumentos da Sputnik 2 coletariam dados de telemetria da nave e das condições de saúde de Laika e enviariam para a Terra por 15 minutos a cada órbita de aproximadamente 104 minutos de duração. A nave também levava fotômetros para medir a radiação solar e os raios cósmicos a partir do espaço, além de uma câmera de televisão transmitindo imagens ao vivo da cadela.

Laika seria enviada em uma cabine selada, cilíndrica com 64 centímetros de diâmetro e 80 centímetros de comprimento. Internamente era acolchoada e continha todos os equipamentos que forneciam o suporte à vida, além de um ventilador de resfriamento, para tentar manter a temperatura agradável durante o período da missão. Na parte externa da cabine, uma tampa removível e uma escotilha de observação. Parecia confortável para a cadela viver no espaço pelos 5 meses em que a Sputnik 2 estaria em órbita da Terra. Só que não.

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