
Um estudo disponível no servidor de pré-impressão arXiv e já aceito para publicação pelo periódico científico The Astronomical Journal descreve a descoberta de um colossal exoplaneta a apenas 200 anos-luz da Terra. Segundo os autores, ele é uma das maiores superterras já observadas.
São chamados de superterras os planetas com massa superior à da Terra mas inferior à dos gigantes gasosos do Sistema Solar. O termo refere-se apenas à massa, não implicando sobre as condições das superfícies ou habitabilidade. Esses planetas, no geral, são rochosos, mas podem também ser gasosos ou híbridos.
Com quase o dobro do raio da Terra, o exoplaneta de nome TOI-1075b, objeto desta pesquisa recente, encontra-se em uma espécie de “planetas de raio-lacuna”, um aparente déficit de mundos entre 1,5 e 2 raios terrestres, ligeiramente maiores do que grande parte das superterras rochosas, mas menores do que os chamados mininetunos.
Segundo o estudo, a massa de TOI-1075b é quase dez vezes a da Terra, o que é muito pesado para um mundo gasoso. É provável que o exoplaneta seja rochoso, como Mercúrio, Terra, Marte e Vênus.
A classe de planetas de raio-lacuna só foi identificada há alguns anos, em 2017, quando já se tinha um catálogo grande o suficiente de planetas alienígenas (de fora do nosso Sistema Solar) para os cientistas notarem um padrão.
No caso de exoplanetas com uma certa proximidade de suas estrelas, muito poucos deles se encaixam nessa lacuna. Existem várias explicações possíveis para isso. O principal motivo parece ser que, abaixo de um certo tamanho, um exoplaneta simplesmente não tem massa para reter uma atmosfera contra a radiação evaporativa tão próxima da estrela hospedeira. De acordo com este modelo, os exoplanetas na lacuna devem, portanto, ter uma atmosfera bastante considerável, consistindo principalmente de hidrogênio e hélio.
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