Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de dezembro de 2022 · 3 min de leitura ·

Astronomia nas Arábias: a importância dos árabes para o estudo do Universo

Astronomia nas Arábias: a importância dos árabes para o estudo do Universo

Sempre que chega a época da Copa do Mundo, este acaba sendo o assunto mais falado em todo o globo. Além de acompanhar os emocionantes jogos e o dia a dia dos astros do futebol mundial, todos, mesmo os que não viajam para lá, querem conhecer mais sobre os lugares, os hábitos e a cultura do povo que recebe a maior competição esportiva do planeta. E para nós que admiramos outros tipos de astros, que tal aproveitarmos esse momento da Copa nas Arábias, para conhecer a importância da Astronomia árabe para o desenvolvimento científico da humanidade?

Sabe aquelas três estrelas que compõe o Cinturão de Órion e que aqui no Brasil nós a chamamos de “Três Marias”? Na verdade elas se chamam Alnitak, Alnilam e Mintaka e elas são apenas algumas das muitas estrelas do nosso céu que foram nomeadas pelos árabes. Mas as contribuições deles para a nossa astronomia vão muito além do batismo de estrelas. E pra gente entender isso, teremos que voltar ao Século II, época em que o famoso filósofo grego Ptolomeu, escreveu sua mais famosa obra “Μεγάλη Σύνταξις”, que significa “O Grande Tratado”. 

O Grande Tratado, que é mais conhecido como “Almagesto”, é um dos textos científicos mais influentes de todos os tempos. Ele lança a base para o conhecimento astronômico que foi difundido por 14 séculos em toda a Grécia, Europa Ocidental, Império Bizantino e também, no mundo árabe. Era como “Bíblia” astronômica (e também astrológica). 

O Almagesto estava organizado em 13 livros abordando cosmologia de Aristóteles, os movimentos dos astros no céu, a duração do ano solar, o movimento da Lua, as distâncias relativas de Lua e Sol, paralaxe lunar, eclipses do Sol e da Lua, precessão dos equinócios, movimentos dos planetas e ainda continha um catálogo com cerca de mil estrelas e seus brilhos, cores e coordenadas celestes. 

No Almagesto, Ptolomeu organizou as estrelas em 48 constelações, muitas delas que foram mantidas até hoje em dia. Em seu modelo cosmológico, a Terra era esférica e estava localizada no centro do Universo, com a Lua, o Sol, os planetas e as estrelas girando ao seu redor. 

Para explicar o movimento retrógrado dos planetas, Ptolomeu acreditava que eles giravam em torno da Terra presos em esferas de cristal. E acreditem, o modelo matemático desenvolvido por ele, era capaz de prever o movimento dos astros com uma precisão aceitável para aquela época. Não à toa, a obra Ptolomeu foi amplamente reproduzida e difundida em grande parte do mundo.

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