
As cidades são iluminadas artificialmente para permitir que os humanos aproveitem a noite. Essa poluição luminosa significa que as estrelas quase sempre são pouco visíveis nos céus urbanos. Mas a observação reduzida das estrelas não é o único impacto da luz artificial à noite.
O desenvolvimento urbano nas áreas costeiras está cada vez mais expondo os ecossistemas marinhos à luz artificial. Esta exposição é particularmente aguda próximo de algumas das maiores cidades costeiras do mundo e pode trazer consequências fisiológicas e comportamentais para os organismos que habitam suas águas costeiras.
O Laboratório Marinho de Plymouth, onde o pesquisador Tim Smyth lidera a equipe de Biogeoquímica Marinha, publicou no ano passado um atlas de luz artificial à noite, no fundo do mar. O atlas revela que a uma profundidade de um metro, a poluição luminosa afeta 1,9 milhão km² dos mares costeiros do mundo. Isso equivale a 3,1% das zonas econômicas exclusivas globais (as áreas do oceano pertencentes às nações costeiras).
Tal pesquisa confirmou que a poluição luminosa é generalizada e em expansão. Mas a diferença entre a intensidade e os ciclos da luz natural e não natural até agora foi pouco estudada. Quantificar isso permitiria melhor compreensão do impacto das extensas costas urbanizadas na ecologia dos ecossistemas marinhos.
Em conjunto com colegas das Universidades de Plymouth e Strathclyde, a equipe quantificou a magnitude da luz natural e artificial que atinge os ecossistemas marinhos de um grupo de sete cidades costeiras com mais de dez milhões de habitantes: Tóquio, Xangai, Mumbai, Nova York, Buenos Aires, Lagos e Los Angeles.
A pesquisa mostrou que, para essas cidades, as dosagens de luz artificial à noite na superfície do mar são até seis vezes maiores que a luz da Lua. A intensidade do luar só excedeu a iluminação artificial em período de três dias a partir das luas cheias mais brilhantes.
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