Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de fevereiro de 2023 · 2 min de leitura ·

Litoral Norte de SP: a chuva é inevitável, a tragédia não

Litoral Norte de SP: a chuva é inevitável, a tragédia não

Neste domingo (19), uma tempestade devastou o Litoral Norte de São Paulo, deixando pelo menos 40 mortos. Cerca de 40 pessoas estão desaparecidas. Mais de 2,5 mil pessoas tiveram que sair de casa.

Maria Clara Sassaki, meteorologista da Climatempo, explica que algumas cidades do litoral registraram chuvas de quase 700mm, muito mais do que o dobro esperado para todo o mês de fevereiro. A média histórica para o mês fica entre 200 e 300mm na região. Em contato com o Olhar Digital, ela falou sobre as condições climáticas que desencadearam o temporal:

A chegada da frente fria ao estado de São Paulo, as águas do Oceano Atlântico que estavam mais aquecidas do que o normal, o fluxo de umidade vindo da Amazônia até o estado e também uma circulação associada a uma área de baixa pressão na costa. A combinação desses fatores causou uma chuva muito volumosa em curto período de tempo, provocando também os alagamentos e deslizamentos. O solo não tem capacidade de drenar uma grande quantidade de água em pouco tempo. As consequências da chuva volumosa, os prejuízos à vida, estão relacionadas a áreas muito povoadas em regiões de risco, de encosta.

O engenheiro especialista em riscos e segurança Gerardo Portela explica que o agravamento das consequências das fortes chuvas está diretamente ligado às condições precárias de infraestrutura:

Infelizmente o que a gente tem visto no Brasil é que essas cidades crescem com os mesmos requisitos e com poucas variações ocasionais por parte das autoridades em relação a como elas cresciam a dois séculos atrás.

De acordo com Gerardo Portela, com o aumento da população nas cidades, as pessoas procuram por alternativas de moradia agrupadas, que não contam com uma infraestrutura segura em caso de chuvas fortes:

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