Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de março de 2023 · 2 min de leitura ·

Mulheres na Astronomia: Yeda Veiga Ferraz, a primeira astrônoma do Brasil

Mulheres na Astronomia: Yeda Veiga Ferraz, a primeira astrônoma do Brasil

A História da Astronomia no Brasil começou muito cedo. Apenas 3 décadas depois de Galileu Galilei realizar a primeira observação do céu através de um telescópio, o primeiro observatório astronômico do Hemisfério Sul foi instalado no Recife. Mas por aqui, esta ciência tardou muito a abrir suas portas para as mulheres. Somente cem anos depois de Maria Mitchell, a primeira astrônoma dos Estados Unidos, e mais de 160 anos depois de Caroline Herschel na Inglaterra, é que o Brasil teve sua primeira astrônoma profissional: a pioneira, Yeda Ferraz.

Yeda Veiga Ferraz Pereira nasceu no Rio de Janeiro, em 1925. Ela era a terceira de uma família de 8 filhos, sendo 7 mulheres. Seus pais, ao contrário do que era comum naquela época, estimularam todas as filhas a seguirem o caminho dos estudos e também trabalharem. E nisso, Yeda se destacou na escola em uma matéria que apavora muita gente até os dias de hoje: a Matemática. 

Durante o curso preparatório para a faculdade no Colégio Andrews, ela conheceu Mauro José Ferraz, que foi o amor de sua vida. Juntos, Yeda e Mauro compartilharam o interesse pela matemática, pela engenharia e pela astronomia. Formaram uma bela família e construíram uma história que enche de orgulho a todos os brasileiros e principalmente, as brasileiras.

No ano de 1943, Yeda e Mauro ingressaram juntos na Escola Nacional de Engenharia e lá, chamaram a atenção do professor de Cálculo que também trabalhava para o Observatório Nacional. Já no segundo ano de faculdade, percebendo a facilidade de Yeda e Mauro com os cálculos, o professor convidou Yeda e Mauro para trabalharem como calculistas no Observatório Nacional.

A função de “calculador” é uma daquelas que a tecnologia extinguiu há algumas décadas. Antes dos computadores possibilitarem a realização de milhões de cálculos por segundo, matemáticos habilidosos eram contratados para essa tarefa em várias áreas da engenharia e também, da astronomia, onde seus cálculos precisos permitiam, por exemplo, calcular a órbita de um cometa ou determinar a posição exata dos astros no céu.

E Yeda, era tão boa nisso que sua contração para o ON em 1944, rompeu um tabu de mais de 100 anos. Desde que o Observatório Nacional foi fundado em 1827, nenhuma mulher jamais havia trabalhado lá antes de Yeda Veiga Ferraz. Ela foi a primeira astrônoma do Brasil e, por muitos anos, foi a única. Mas esse não foi o único tabu que ela venceu em sua vida.

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