Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de abril de 2023 · 2 min de leitura ·

Lua cheia da Páscoa é realmente uma Superlua?

Lua cheia da Páscoa é realmente uma Superlua?

Na manhã desta quarta-feira (5), alguns veículos de imprensa divulgaram que um fenômeno chamado “Superlua Rosa” será visível em todo o Brasil na madrugada de quinta-feira (6). Mas, será que é isso mesmo?

De acordo com o Old Farmer’s Almanac (Almanaque do Velho Fazendeiro), uma das publicações mais tradicionais dos EUA voltadas à astronomia, a lua cheia de cada mês do ano tem uma designação própria. 

De forma bem simples e resumida, quando o nosso satélite natural chega à fase completa praticamente ao mesmo tempo em que sua órbita elíptica faz sua aproximação máxima da Terra – ponto chamado de perigeu –, costuma-se chamar o fenômeno de Superlua (termo que se originou entre os astrólogos no final da década de 1970).

“Mas, sem saber o quão perto a lua cheia precisa estar da Terra, não dá para cravar se esta ou aquela lua cheia é uma Superlua”, explica Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital.

Segundo Zurita, até existem algumas tentativas de criar uma definição científica, completa e definitiva para o termo, mas é difícil chegar a um consenso, e talvez isso tenha algo a ver com o fato de que ele vem da astrologia. “Na astronomia, sua utilização é recente e tem se mostrado uma boa forma de popularizar a ciência, mas muita gente ainda ‘torce o nariz’ para o termo, por considerá-lo um nome mercadológico para ‘vender’ a Lua Cheia no perigeu, que, na prática, não tem nada de super, nem representa nenhum fenômeno de interesse científico”.

Talvez por isso a União Astronômica Internacional (IAU) não demonstrou, até hoje, nenhum interesse em normatizar o termo. “Tudo que temos são as definições informais para a Superlua”, explica o astrônomo.

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