Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de maio de 2023 · 3 min de leitura ·

Pêndulo de Foucault: o experimento que comprovou a rotação da Terra há quase 2 séculos

Pêndulo de Foucault: o experimento que comprovou a rotação da Terra há quase 2 séculos

Nosso planeta, a Terra, é uma imensa e esférica rocha, girando no espaço. Percebemos a rotação do nosso planeta, quando vemos os astros se movendo no céu ao longo do dia e da noite. Com base em séculos de desenvolvimento de instrumentos precisos de observação, concluímos que a Terra leva 23 horas, 56 minutos e 4 segundos para completar uma volta em torno de si. Mas até pouco tempo atrás, no fim da idade média, muita gente ainda defendia a ideia de que a Terra era estacionária e que esferas celestes se moviam em torno dela levando as estrelas, o Sol, a Lua e os planetas do Sistema Solar. 

Pode até parecer desnecessário, mas em meados do século XIX, um físico francês conseguiu provar a rotação da Terra com um experimento genial: O Pêndulo de Foucault. 

Jean Bernard Léon Foucault, foi realmente um dos grandes gênios da sua época. Nascido em 1819, em Paris, ele chegou a estudar Medicina, mas desistiu por conta de uma aversão a sangue e se rendeu à sua grande paixão: a Física. Entre seus grandes feitos nessa área estão, a descoberta das correntes elétricas de Foucault, a medição mais precisa da velocidade da luz e a comprovação física da rotação da Terra utilizando um pêndulo. Mas como isso seria possível?

Bom, o experimento de Foucault foi desenvolvido graças a uma fundamentação apresentada por um outro francês, o engenheiro e matemático,  Gustave-Gaspard Coriolis. Em 1835, Coriolis definiu matematicamente uma força que age sobre um corpo em movimento num sistema não-inercial em rotação. Imagine por exemplo, um disco de vinil em rotação em uma vitrola. Se uma pequena formiga andar sobre esse disco da borda em direção ao centro, ela sentirá uma força extra no mesmo sentido de rotação do disco. Já se ela se afastar do centro, sentirá uma força no sentido contrário à rotação.

Essa é a chamada força de Coriolis. E na verdade, é um pseudo-força, já que ela é uma parcela da força inercial do corpo. Enfim, essa força pode ser percebida facilmente no movimento de rodopio de uma bailarina. Quando ela contrai seus braços, aproximando-os do centro da rotação, a força de Coriolis aumenta a velocidade angular da bailarina, fazendo com que ela gire mais rápido. 

Por ter uma mente genial, Foucault percebeu que, se a Terra está em rotação, então um corpo em movimento em sua superfície, estaria sujeito à força de Coriolis. E de fato, hoje sabemos que é graças à Força de Coriolis que os ventos de uma tempestade giram no sentido anti-horário no Hemisfério Norte, e no sentido horário no Hemisfério Sul. Ela também provoca pequenos desvios em balas de canhão atiradas a longas distâncias. E Foucault imaginou, que ela poderia ser percebida também sobre um pêndulo, comprido e pesado o suficiente para que essa força pudesse ser medida e comprovada.

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