
Um artigo publicado nesta sexta-feira (26) na revista Parasitology descreve uma importante descoberta para a medicina que foi possível graças a análises de assentos sanitários da era bíblica em Jerusalém. Vestígios de cocô de mais de 2,5 mil anos encontrados nas fossas de pedra carregam a mais antiga evidência de um determinado protozoário prejudicial à saúde.
Esse parasita microscópico, o Giardia duodenalis, provoca disenteria, uma infecção intestinal que resulta em diarreia grave e sanguinolenta, muitas vezes acompanhada por cólicas estomacais e febre.
Na Idade Antiga, em Jerusalém, banheiros privativos eram coisa rara, um privilégio de classes abastadas. A maioria da população usava banheiros comunitários. Exemplos deles já foram escavados em variados pontos da cidade sagrada. Suas estruturas eram compostas de blocos de pedra com um orifício central maior, para defecar, e um buraco menor, para urinar. Embaixo, ficava uma fossa única.
Como alguns ainda se encontram em seus locais originais, cientistas veem neles uma oportunidade única para investigar a presença de microrganismos.
Estudos anteriores sobre as fossas revelaram ovos de lombrigas, vermes e tênias, indicando a ausência de práticas de saneamento da época. No entanto, embora esses ovos sejam robustos e possam ser preservados por milhares de anos, é muito mais difícil detectar os cistos frágeis produzidos pelos protozoários.
Para uma investigação mais precisa, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, da Universidade de Tel Aviv e da Autoridade de Antiguidades de Israel provou que poderia identificar a presença do parasita causador da disenteria usando uma técnica chamada ELISA (sigla para “ensaio de imunoabsorção enzimática”).
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