
Um artigo publicado nesta quinta-feira (27) na revista The Astronomical Journal descreve uma descoberta feita pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA, sobre um dos sistemas planetários mais jovens já observados.
Localizada a apenas 32 anos-luz da Terra, a estrela AU Microscopii (AU Mic) tem menos de 100 milhões de anos (uma pequena fração da idade do nosso Sol, que tem 4,6 bilhões de anos).
AU Mic b, o planeta mais interno desse sistema, tem um período orbital de 8,46 dias e está a menos de 10 milhões de km da estrela-hospedeira. A título de comparação, isso representa cerca de 10% da distância entre Mercúrio e o Sol.
O jovem mundo, que é inchado e gasoso e tem quase quatro vezes o diâmetro da Terra, orbita a anã vermelha tão de perto que experimenta uma explosão consistente e torrencial de energia liberada por ela, o que, normalmente, faz evaporar sua atmosfera de hidrogênio.
No entanto, durante uma órbita observada pelo Hubble, o planeta parecia não estar perdendo nenhum material. Um ano e meio depois, o observatório registrou mais uma volta de AU Mic b em torno da estrela-mãe, desta vez captando sinais claros de perda atmosférica.
De acordo com um comunicado da NASA, essa extrema variabilidade entre órbitas impressionou os astrônomos. “Nunca vimos o escape atmosférico passar de completamente indetectável para muito detectável em um período tão curto quando um planeta passa na frente de sua estrela”, disse a pesquisadora Keighley Rockcliffe, do Dartmouth College, nos EUA. “Esperávamos realmente algo muito previsível, repetível. Mas acabou por ser estranho. Quando vi pela primeira vez, pensei: ‘Isso não pode estar certo’.”
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