Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de julho de 2023 · 2 min de leitura ·

Mudanças climáticas: remover carbono da atmosfera pode não ser suficiente

Mudanças climáticas: remover carbono da atmosfera pode não ser suficiente

Um artigo recém-publicado na revista Science Advances afirma que a remoção de carbono da atmosfera da Terra pode não reverter mudanças climáticas devastadoras em áreas vulneráveis.

No estudo, pesquisadores coreanos simularam como a remoção de grandes quantidades do gás de efeito estufa dióxido de carbono do ar pode afetar o progresso das mudanças climáticas locais relacionadas ao aquecimento global. 

Baseada em modelagem computacional, a investigação examinou um cenário hipotético, no qual as concentrações de dióxido de carbono continuaram a aumentar dos níveis atuais por 140 anos, depois foram gradualmente reduzidas de volta aos níveis iniciais ao longo de outro período de 140 anos.

Os cientistas estavam particularmente interessados em como essas mudanças afetariam as regiões subtropicais vulneráveis, que são conhecidas por sofrer com secas mais intensas e mais frequentes à medida que as alterações nos padrões climáticos progridem.

Segundo eles, os resultados obtidos sugerem que o clima local nessas áreas não voltaria ao normal por mais de 200 anos após a queda das concentrações de dióxido de carbono. A região do Mediterrâneo, por exemplo, atormentada por ondas de calor cada vez mais severas, secas e incêndios florestais, continuaria a sofrer e poderia se tornar ainda mais seca, de acordo com o estudo.

O principal autor do artigo, Seo-Yeon Kim, pesquisador da Universidade Nacional de Seul, disse ao site Space.com que a recuperação imprevisível do padrão crucial de circulação atmosférica tem a ver com a resposta global dos oceanos à diminuição das temperaturas provocada pela remoção de dióxido de carbono.

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