Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de agosto de 2023 · 2 min de leitura ·

Choro de bebês atrai crocodilos: apetite ou preocupação?

Choro de bebês atrai crocodilos: apetite ou preocupação?

Não importa o idioma ou as diferenças entre as espécies: a linguagem das emoções é universal. Um artigo publicado quarta-feira (9) na revista Proceedings of the Royal Society B revela uma intrigante conexão emocional entre crocodilos e seres humanos, demonstrando que o sofrimento é um elo que transcende as espécies. 

Investigando o fascinante mundo da bioacústica, os autores do estudo descobriram como os crocodilos-do-Nilo (Crocodylus niloticus) reagem aos choros e gemidos de bebês humanos e primatas, evidenciando uma comunicação emocional surpreendente entre animais diferentes.

Liderado por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, o estudo mergulhou nas margens de lagoas em um zoológico no Marrocos para observar como os crocodilos se comportam. 

Os pesquisadores equiparam alto-falantes controlados remotamente, por meio dos quais reproduziram gravações de choros de bebês humanos, bonobos e chimpanzés. O resultado foi fenomenal: os crocodilos, notórios predadores africanos que podem atingir impressionantes 18 metros de comprimento, foram atraídos pelos sons angustiantes.

Nicolas Grimault, diretor de pesquisa bioacústica e um dos autores do estudo, ressaltou a relevância dessas descobertas. “O sofrimento é algo compartilhado por espécies muito distantes”. 

A pesquisa sugere que os gemidos infantis, embora atrativos como possíveis refeições, podem também suscitar uma resposta de ajuda por parte dos crocodilos, subvertendo a visão convencional desses répteis temíveis. Ou seja, é possível que eles tivessem sido atraídos por um “sentimento” de preocupação – e não simplesmente por encontrarem nesses sons a possibilidade de uma refeição estar por perto.

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