Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de setembro de 2023 · 2 min de leitura ·

ONS diz que falha em usinas eólicas e solares causou apagão de agosto

ONS diz que falha em usinas eólicas e solares causou apagão de agosto

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revelou, em um relatório preliminar divulgado na segunda-feira (25), que uma falha no desempenho de equipamentos de controle de tensão em campos eólicos e solares foi a principal causa do apagão que afetou 25 estados brasileiros e o Distrito Federal em 15 de agosto.

A minuta do Relatório de Análise de Perturbação (RAP) apontou que os equipamentos não atuaram conforme as informações fornecidas pelas usinas, o que desencadeou um efeito cascata de desligamento de linhas de transmissão.

O apagão teve início com o desligamento da Linha de Transmissão Quixadá-Fortaleza II, no Ceará, considerado como o “evento zero”. O ONS esperava que os equipamentos nas usinas compensassem automaticamente a queda de tensão causada por esse desligamento, mas os dados oficiais sobre o funcionamento desses equipamentos não correspondiam ao seu desempenho real.

Na minuta, o ONS destacou que a diferença entre os dados fornecidos pelas usinas e o desempenho real dos equipamentos tornou “impossível a identificação prévia por parte do ONS do risco de atuação da PPS [Proteção de Perda de Sincronismo], causado pelo colapso de tensão em parte do sistema”. A PPS é uma das proteções do sistema elétrico que visa evitar que problemas se espalhem pelo sistema interligado.

Como resultado dessa falta de correspondência entre os dados e o desempenho real dos equipamentos, ocorreu um efeito cascata de desligamento de linhas de transmissão, interrompendo 34,5% da demanda de energia elétrica no país.

Para evitar futuros incidentes desse tipo, o ONS está propondo à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a criação de novos procedimentos para envio e validação dos dados fornecidos pelas usinas. O objetivo é assegurar a reprodução fidedigna do desempenho das usinas em campo, tanto durante a integração de novas usinas quanto ao longo de seu ciclo de vida.

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