Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 17 de outubro de 2023 · 2 min de leitura ·

Mistério das cobras perdidas: Egito tinha mais espécies venenosas há 3 mil anos

Mistério das cobras perdidas: Egito tinha mais espécies venenosas há 3 mil anos

Civilizações antigas frequentemente documentavam a vida selvagem, mas decifrar as informações desses registros é algo desafiador. Um artigo publicado recentemente na Environmental Archaeology, com base em um antigo papiro, oferece uma visão surpreendente sobre as cobras venenosas do Egito.

De acordo com o estudo, havia muito mais serpentes peçonhentas no país há três milênios do que hoje em dia. Das 37 espécies listadas no chamado “Papiro do Brooklyn”, 13 foram perdidas. 

Isso tem levado muitos pesquisadores a especular sobre quais espécies atuais estão descritas no material. Datado entre 660 a 330 a.C., o documento detalha, além das diferentes espécies de cobras, os sintomas de picadas e os deuses associados à cura. 

Um exemplo intrigante que consta no registro é a “grande cobra de Apophis”. Esse animal tinha quatro presas, em contraste com as serpentes modernas, que têm apenas duas. Nenhuma cobra correspondente à descrição da “grande cobra de Apophis” é encontrada no Egito contemporâneo. 

Um tipo que pode ser próximo é a boomslang (Disopholidus typus) que habita as savanas da África subsaariana, apresentando quatro presas e veneno mortal. Mas, como essas cobras chegaram ao Egito, localizado ao sul de suas atuais fronteiras?

Para tentar responder a essa pergunta, Elysha McBride, estudante de mestrado na Escola de Ciências Naturais da Universidade de Bangor, no Reino Unido, utilizou a modelagem de nicho climático, um método estatístico que reconstrói as condições de vida das espécies ao longo do tempo. 

Compartilhe