Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de outubro de 2023 · 2 min de leitura ·

Assombração ou ciência? Estudo aponta que ouvir vozes é comum

Assombração ou ciência? Estudo aponta que ouvir vozes é comum

Novas descobertas científicas desvendam os mistérios por trás das alucinações auditivas, revelando que o fenômeno de ouvir vozes, muitas vezes associado a distúrbios psiquiátricos, pode ser desencadeado por uma simples desconexão entre nossas ações e percepções sensoriais. Um estudo realizado por pesquisadores suíços, utilizou um método envolvendo toques-fantasma, para mergulhar no cerne das alucinações.

Os resultados revelam um fascinante insight sobre como o cérebro humano processa sinais contraditórios do ambiente e como essas experiências podem ocorrer em uma ampla gama de indivíduos.

Os pesquisadores descobriram que os voluntários eram mais propensos a relatar a audição de uma voz quando havia um atraso entre o acionamento do botão e o toque da haste, em comparação com quando não havia atraso. Os achados sugerem que as raízes neurológicas das alucinações residem na forma como o cérebro processa sinais contraditórios do ambiente, afirmaram os pesquisadores.

O ato de ouvir vozes é mais comum do que se imagina, afirmou Pavo Orepic ao The New York Times, pesquisador pós-doutorado da Universidade de Genebra e autor do novo artigo. Em pesquisas, cientistas descobriram que muitas pessoas sem diagnóstico psiquiátrico – talvez de 5 a 10 por cento da população geral – relatam ter ouvido uma voz desencarnada em algum momento de suas vidas.

Na verdade, há um continuum dessas experiências. Então, todos nós alucinamos – em determinados momentos, como quando estamos cansados, alucinamos mais, por exemplo – e algumas pessoas são mais propensas a fazê-lo.

No novo estudo, assim como em trabalhos anteriores, o Dr. Orepic e seus colaboradores fizeram voluntários se sentarem em uma cadeira e pressionarem um botão que fazia a haste tocar suas costas. Durante algumas sessões, não houve atraso entre o acionamento do botão e o toque, enquanto em outras houve um atraso de meio segundo – tempo suficiente para dar aos voluntários a sensação de que alguém estava por perto.

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