
Várias capitais do Brasil devem enfrentar calor extremo – a ponto de entrarem para a lista de cidades mais quentes do mundo – até 2050. É o que apontou uma pesquisa realizada pela ONG Carbon Plan, junto ao jornal The Washington Post. Além do ranking de cidades, o estudo investiga o dano potencial que o calor pode causar ao planeta a longo prazo.
O país está entre os que mais devem sofrer com as mudanças climáticas globais, por conta de sua extensão continental e sua localização tropical, de acordo com a pesquisa. “Muitas cidades brasileiras, como Teresina, Cuiabá e cidades do Agreste nordestino, já vivem no limiar da temperatura”, acrescenta o estudo.
A cidade que mais sofrerá será Pekanbaru, na Indonésia, onde o calor extremo deve imperar por 344 dias. Já no Brasil, várias capitais sofrerão por, ao menos, um dia – e a região Norte deve ser a mais castigada. Veja abaixo as cinco cidades onde o calor extremo vai perdurar por mais tempo:
Paulo Artaxo, professor do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), analisou o estudo, a pedido do Jornal da USP. Ele ressalta que cidades de regiões como da Amazônia, que combinam altas temperaturas com altas umidades, terão um agravante:
É perigoso para a saúde humana, porque uma das maneiras que o corpo utiliza para se resfriar é a transpiração. Se você tem umidade relativa do ar entre 70% e 80%, dificulta a evaporação da água do corpo, o que conflui para que os mecanismos de regulação térmica do corpo deixem de funcionar adequadamente.
Além disso, o professor explicou que, com as emissões atuais de gases do efeito estufa, a média da temperatura global deve aumentar, na segunda parte do século 21, três graus Celsius. “O que significa, em áreas continentais, como o Nordeste brasileiro ou a Amazônia, um aumento da ordem de quatro a quatro graus e meio”, acrescenta o professor.
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