Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de janeiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Hubble perde 3 horas de trabalho por dia – e a “culpa” é do Brasil

Hubble perde 3 horas de trabalho por dia – e a "culpa" é do Brasil

Você sabia que o telescópio espacial mais famoso da humanidade tem um “ponto cego”? E, geograficamente, esse ponto cego fica bem em cima da sua cabeça.

Todos os dias, o Hubble precisa interromper suas observações científicas por cerca de 3 horas diárias (somando os intervalos). O motivo não é defeito técnico, mas sim uma peculiaridade geofísica: a Anomalia do Atlântico Sul (AAS), uma falha no campo magnético da Terra cujo centro está posicionado sobre o Brasil.

O Hubble orbita a Terra a uma velocidade impressionante, completando uma volta no planeta a cada 97 minutos (cerca de 15 voltas por dia).

O problema é a rota. Dessas 15 voltas, entre 7 e 9 delas cruzam a região da anomalia sobre a América do Sul. Quando isso acontece, os computadores de bordo do telescópio executam uma ordem automática de segurança: eles desligam a alta voltagem dos sensores e câmeras.

Segundo os manuais de operação da NASA, o telescópio fica “cego” por cerca de 20 a 25 minutos a cada passagem. Colocando na ponta do lápis, isso significa que o Hubble passa cerca de 15% do seu dia ocioso apenas para atravessar o céu brasileiro em segurança.

A Anomalia do Atlântico Sul funciona como um “buraco” no escudo magnético da Terra, permitindo que níveis mais altos de radiação e partículas carregadas (prótons de alta energia) desçam para altitudes mais baixas.

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