Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Explosão de foguete: acidente em Alcântara tem causa apontada

Explosão de foguete: acidente em Alcântara tem causa apontada

A investigação sobre o acidente que encerrou prematuramente o primeiro lançamento comercial do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, em dezembro de 2025, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), foi concluída. Em anúncio feito na terça-feira (17), a INNOSPACE e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) da Força Aérea Brasileira revelaram a causa da anomalia: um vazamento de gases de combustão na seção frontal da câmara do primeiro estágio, provocado por falhas na remontagem do sistema após a chegada ao Brasil.

A operação, batizada de Operação Spaceward, terminou de forma abrupta aos 33 segundos de voo. A partir desse momento, o veículo se rompeu em múltiplos fragmentos. A investigação conjunta, que durou meses, reconstituiu a sequência completa do lançamento por meio da análise de dados de telemetria, rastreamento, registros operacionais e imagens de vídeo. Mais de 300 fragmentos recuperados no local de lançamento foram examinados em laboratório.

De acordo com as conclusões técnicas, o foguete operou normalmente na fase inicial, com todos os dados sendo transmitidos corretamente após a decolagem. O problema surgiu quando um vazamento de gases de combustão se desenvolveu na junção entre componentes da câmara de combustão do foguete híbrido do primeiro estágio. A pressão interna levou à ruptura da estrutura e à consequente desintegração do veículo.

A análise determinou que a causa raiz do vazamento foi “compressão insuficiente e vedação inadequada dos componentes”, resultantes de deformações ocorridas durante o processo de remontagem do sistema no Brasil. A substituição de um plugue frontal da câmara na fase de preparação para o lançamento não foi executada com a precisão necessária, comprometendo a integridade da vedação.

Com base nas conclusões, a INNOSPACE anunciou um pacote de medidas corretivas. A empresa pretende reforçar os processos de montagem e os procedimentos de gestão de qualidade, além de implementar melhorias de projeto e atualizações em componentes críticos. Procedimentos adicionais de verificação funcional também serão incorporados ao protocolo pré-lançamento.

“Por meio desta investigação, conseguimos revisar de forma abrangente os dados de voo e os materiais coletados, obtendo uma compreensão mais clara da sequência de lançamento”, afirmou Soojong Kim, CEO da INNOSPACE. “Esse processo gerou ativos técnicos valiosos que contribuirão para o avanço das tecnologias de veículos lançadores.”

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