Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de novembro de 2023 · 2 min de leitura ·

Degradação da Amazônia pode originar novas pandemias

Degradação da Amazônia pode originar novas pandemias

A Amazônia é considerada o lar da maior biodiversidade do planeta e os alertas sobre a necessidade da preservação da floresta não são novidade. Mas cada vez mais os cientistas descobrem sobre os impactos que a degradação desse ecossistema traria para a Terra. Um deles é a possibilidade do surgimento ou ressurgimento de doenças de potencial pandêmico.

A degradação de áreas conservadas, o desvio de rios e a seca extrema, por exemplo, levam à escassez de água e alimentos. E isto representa uma ameaça direta de desnutrição, afetando a saúde das populações locais, deixando-as mais vulneráveis a doenças já conhecidas.

Além disso, a falta de água limpa e a má higiene em condições de estiagem também aumentam o risco de doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, como cólera e hepatite, e viroses que causam diarreias graves, como as rotaviroses. Agravando o quadro, a incidência de doenças associadas à má preservação de peixes, como a rabdomiólise (doença da urina preta) – que não é infecciosa -, também aumenta durante secas extremas.

O aquecimento global é um fator crítico neste processo, permitindo a expansão da presença de mosquitos transmissores de doenças como malária e dengue. Um aumento de poucos graus na temperatura média do planeta pode possibilitar a colonização de áreas anteriormente inacessíveis a esses vetores, pois requerem de condições de temperatura e umidade relativamente altas. Já em regiões onde eles estão presentes, a degradação do ambiente pode aumentar ou diminuir os períodos de chuva, favorecendo alagamentos e manutenção de água empoçada, e facilitando sua proliferação.

As doenças infecciosas, especialmente as zoonóticas, aquelas transmitidas de animais para pessoas, são as mais preocupantes. Enquanto alguns patógenos são capazes de infectar uma ou poucas espécies de hospedeiros, outros são mais generalistas e podem, se houver contato e oportunidade, infectar uma grande diversidade de animais.

Esse tipo de “salto” de um hospedeiro a outro ocorre constantemente entre animais em seu habitat natural, por exemplo, de morcegos para primatas não humanos, pequenos roedores e outros mamíferos. Costuma haver, entretanto, um equilíbrio na circulação desses agentes.

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