Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 16 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

União Europeia deve recuar na proibição de motores de combustão interna em 2035

União Europeia deve recuar na proibição de motores de combustão interna em 2035

A União Europeia está prestes a recuar em uma de suas medidas ambientais mais simbólicas da última década. O bloco deve abandonar a proibição prevista para 2035 da venda de novos carros movidos a gasolina e diesel, conhecidos como motores de combustão interna, como parte de um pacote de reformas voltado a apoiar a indústria automobilística europeia, que enfrenta forte pressão competitiva e um ritmo mais lento do que o esperado na transição para veículos elétricos. As informações são da AFP.

A medida, que havia sido adotada em 2023 como um marco do Pacto Verde Europeu, era considerada uma vitória importante no combate às mudanças climáticas. No entanto, montadoras e grupos de lobby do setor intensificaram as críticas ao longo do último ano, argumentando que as metas estabelecidas se tornaram difíceis de cumprir diante da concorrência de fabricantes chineses e de obstáculos estruturais no mercado europeu.

A Comissão Europeia deve propor a substituição da proibição total dos motores de combustão interna por uma meta menos ambiciosa de redução de 90% nas emissões. Críticos avaliam que essa mudança pode enfraquecer a agenda verde do bloco e desestimular investimentos já realizados na eletrificação. Ainda assim, autoridades europeias afirmam buscar um equilíbrio entre sustentabilidade e competitividade industrial.

Segundo fontes da União Europeia, as negociações internas avançaram até os momentos finais antes do anúncio oficial, com debates sobre quais tipos de veículos poderão ser comercializados após o prazo inicialmente previsto. Para a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), trata-se de um momento decisivo. A entidade afirma que as metas para 2030 e 2035, que previam apenas veículos elétricos novos à venda, deixaram de ser realistas.

Entre os argumentos apresentados pelas montadoras estão os altos custos iniciais dos veículos elétricos e a falta de infraestrutura de recarga em diversas regiões dos 27 países do bloco. Dados da ACEA indicam que pouco mais de 16% dos veículos novos vendidos nos primeiros nove meses de 2025 eram movidos exclusivamente a bateria, percentual considerado insuficiente para sustentar a transição nos moldes originalmente planejados.

A possível flexibilização divide os países da União Europeia. Alemanha e algumas nações do leste europeu defendem a continuidade das vendas de híbridos plug-in e veículos com extensores de autonomia, que utilizam pequenos motores de combustão para recarregar baterias. Essa posição, no entanto, é contestada por estudos recentes que apontam que híbridos plug-in podem poluir quase tanto quanto carros a gasolina.

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