Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 14 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Jornal revela “fraude sistêmica” e abusos em fábrica da BYD na Bahia

Jornal revela "fraude sistêmica" e abusos em fábrica da BYD na Bahia

A construção da maior fábrica de carros elétricos da América Latina, em Camaçari (BA), operou sob uma “fraude consciente e sistêmica”, segundo novos detalhes de uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelados pelo The Washington Post.

O relatório aprofunda as denúncias de dezembro, quando o governo brasileiro suspendeu vistos de trabalhadores chineses após identificar 163 operários em condições análogas à escravidão no canteiro de obras da BYD.

O projeto, que representa uma das maiores apostas da China para controlar o futuro da indústria automobilística, escondia práticas degradantes nos bastidores. Enquanto a BYD celebrava a transição da antiga planta da Ford para a tecnologia elétrica, operários chineses enfrentavam uma realidade de domingo a domingo, sem folgas e sob vigilância.

De acordo com as 5 mil páginas de registros judiciais analisadas pelo jornal americano, a “fraude” começava ainda na China com promessas de salários altos (cerca de US$ 2.800), mas resultava em:

A BYD Brasil, que inicialmente negou as acusações classificando-as como “diferenças culturais”, decidiu encerrar o contrato com a empreiteira terceirizada Jinjiang Construction após ser notificada das irregularidades. Em nota divulgada em dezembro, a montadora afirmou que não tolera o desrespeito à dignidade humana e que colabora com as autoridades.

Para encerrar o processo civil, as empresas envolvidas assinaram um acordo no final de dezembro prevendo o pagamento de R$ 40 milhões, segundo o G1. Desse montante, R$ 20 milhões serão destinados diretamente aos 224 trabalhadores resgatados como indenização por danos morais individuais – o que representa cerca de R$ 89 mil para cada um. A outra metade será direcionada para o dano moral coletivo, em fundos a serem indicados pelo MPT. No acordo, a BYD atuou como avalista do pagamento, mas não precisou admitir culpabilidade formal no processo.

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