
As mudanças climáticas têm provocado períodos de seca cada vez mais longos na Amazônia e isso pode representar que o chamado ponto de não retorno está próximo. Isso significaria danos irreversíveis ao bioma, que deixaria de ser uma floresta tropical e se transformaria em uma savana, alterando completamente o equilíbrio natural do nosso planeta.
Em entrevista à Agência Lusa, Carlos Nobre alertou para os riscos da perda de vitalidade do bioma, que é fundamental para deter o aquecimento global. E ainda destacou que isso pode fazer com que a floresta emita mais carbono na atmosfera do que absorve, acentuando os efeitos das mudanças climáticas.
Antes nós tínhamos uma seca mais pronunciada na Amazônia a cada duas décadas. Agora nós temos registrado secas de três a quatro vezes mais frequentes […] e, isso, coloca a Amazônia num enorme risco [de chegar] ao ponto de não retorno.
O climatologista brasileiro explica que se o período de seca durar de cinco a seis meses, oficialmente a Amazônia terá um clima de savana tropical, um clima do cerrado, e não mais um clima típico de floresta tropical. Ele também observa que o fenômeno climático El Niño pode estar acelerando esse efeito.
Os resultados disso na natureza são pouco mensuráveis, mas os especialistas indicam que, além do aumento das temperaturas médias globais, a “savanização” da Amazônia alteraria profundamente o equilíbrio existente na região hoje, gerando mudanças abruptas na fauna e flora. As informações são da Agência Brasil.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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