Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de dezembro de 2023 · 2 min de leitura ·

Fóssil de “tiranossauro dos oceanos” é descoberto em penhasco na Inglaterra

Fóssil de "tiranossauro dos oceanos" é descoberto em penhasco na Inglaterra

A descoberta de um fóssil de dois metros de comprimento de um pliossauro, feroz réptil subaquático que viveu nos oceanos há cerca de 150 milhões de anos, pode ajudar os cientistas a entender melhor esse antigo predador. O crânio do animal foi encontrado nos penhascos da Costa Jurássica de Dorset, no sul da Inglaterra.

A descoberta do fóssil aconteceu de maneira inusitada durante um passeio por uma praia perto da Baía de Kimmeridge, na famosa Costa Jurássica do sul da Inglaterra, considerado Patrimônio da Humanidade da Unesco, o braço da ONU para educação, ciência e cultura. A ponta do focinho do pliossauro foi localizada caída no cascalho.

​Após um levantamento feito por drones foi identificado o local provável onde estaria o restante do crânio. O problema era que a única maneira de escavá-lo era descer de rapel do topo da falésia.

Remover fósseis de rochas é sempre um trabalho árduo e delicado. Mas fazer isso pendurado em cordas em um penhasco em ruínas, 15 metros acima da praia, requer um nível de habilidade fora do comum. Foram meses para conseguir recuperar o material.

O achado revela informações até então desconhecidas sobre este grande predador. Por exemplo, examinando as grandes aberturas circulares na parte posterior da cabeça do animal é possível inferir o tamanho dos músculos por trás das mandíbulas do pliossauro e as forças geradas quando sua boca se fechava e esmagava sua presa. No limite superior, isso chegaria a cerca de 33.000 newtons. Em termos de comparação, as mandíbulas mais poderosas dos animais vivos são encontradas nos crocodilos de água salgada, com 16.000 newtons.

O fóssil recém-descoberto também possui características que indicam que ele tinha alguns sentidos particularmente aguçados e muito úteis. Seu focinho é repleto de pequenas cavidades nas quais provavelmente havia glândulas para ajudá-lo a detectar mudanças na pressão da água feitas por possíveis presas.

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