Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de dezembro de 2023 · 2 min de leitura ·

A “Estrela de Belém” foi um cometa? Veja as explicações da astronomia para o fenômeno

A "Estrela de Belém" foi um cometa? Veja as explicações da astronomia para o fenômeno

Também chamada de Estrela-Guia, a Estrela de Belém revelou o nascimento de Jesus aos Três Reis Magos e, posteriormente, os guiou até ele, segundo a crença cristã. Melquior, Baltazar e Gaspar teriam levado presentes ao bebê e o adorado como o futuro rei dos judeus. 

De acordo com Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, durante séculos, não era permitido aos homens buscar explicações para os “milagres de Deus”. Então, esse assunto só foi estudado de forma mais profunda muito recentemente. 

“Um dos principais complicadores neste estudo é a divergência na contagem do tempo pelos povos”, explica Zurita. “O calendário hebraico adotado na Judeia não era o mais preciso dos calendários e não era sincronizado com o calendário juliano, o oficial de Roma. Por isso, não é certeza que Jesus tenha nascido exatamente 2023 anos atrás”.

Uma das explicações para o fenômeno seria o nascimento de uma estrela. No entanto, segundo Zurita, é a menos provável. “Isso porque esse tipo de fenômeno é algo muito raramente observado. Praticamente todas as estrelas visíveis a olho nu em nosso céu noturno estão em um raio de apenas 2 mil anos-luz da Terra e não se conhece nenhuma estrela nessas proximidades que tenha nascido há menos de 100 milhões de anos”.

Outra hipótese considerada, e que foi muito falada uns anos atrás, é que a Estrela de Belém, na verdade, não seria uma estrela e sim uma conjunção planetária. “Por essa teoria, Vênus e Júpiter, os planetas mais brilhantes do céu noturno, teriam ficado tão próximos que se pareceram uma única estrela bem mais brilhante”, explica Zurita. 

O especialista ressalta, no entanto, que o brilho somado de Vênus e Júpiter não é algo tão extraordinariamente mais luminoso. “Além disso, conjunções tão próximas, ao ponto de serem percebidas como um único astro, só seriam visíveis por algumas horas, e nós sabemos que a Estrela de Belém guiou os magos por várias noites”.

Compartilhe