Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de dezembro de 2023 · 2 min de leitura ·

O que é a morte – cientificamente falando?

O que é a morte – cientificamente falando?

Em “O Auto da Compadecida”, o escritor pernambucano Ariano Suassuna define a morte como “o único mal irremediável, que une tudo o que é vivo”. De fato a morte é algo comum a todos os seres vivos, mas morrer é algo bem diferente, conforme o ponto de vista de quem observa.

Ao contrário da concepção tradicional de morte como um evento irreversível, evidências recentes sugerem que essa é uma construção social desatualizada, não totalmente alinhada com a biologia.

Definir o que está vivo pode ser um pouco mais difícil do que imaginamos. A definição de vida cobre um conjunto de características distintas que unem os seres vivos. Do ponto de vista biológico, a vida pode ser definida pela presença de organização celular, metabolismo, resposta a estímulos e reprodução. A célula é considerada a unidade fundamental da vida, sendo responsável por gerir todos esses processos.

A definição filosófica da vida pode entender a gama de processos envolvidas em estar vivo. Fatores mais objetivos como a capacidade de sentir e ter consciência são incluídos nas discussões sobre o que constitui um ser vivente. Essas definições não são aplicadas apenas na Medicina ou em livros de Filosofia. Entender o que é vivo nos auxilia até mesmo na busca por formas de vida em ambientes extremos ou em outros planetas, como explorado na Astrobiologia.

Já a morte tem sido definida ao longo dos tempos como a “cessação irreversível” dos processos vitais, comumente apoiados pelo coração, pulmões e cérebro. Historicamente, a parada cardíaca era considerada o ponto sem retorno, no quak a morte era tratada como irreversível. Porém, essa definição vem sendo questionada já a bastante tempo.

O surgimento da ressuscitação cardiopulmonar na década de 60 alterou totalmente essa visão. Ao estabelecer a separação entre a perda temporária da função cardíaca e a cessação permanente da vida. Por outro lado, a discussão sobre a morte cerebral também modificou essa definição, mas seguindo o caminho contrário. Mesmo com o coração batendo, o cérebro agora era quem definia se alguém estava vivo ou não. Ainda que as funções vitais estivessem sendo mantidas com auxílio de aparelhos.

Compartilhe