Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de janeiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Super El Niño, ciclone e onda de calor: o clima extremo de 2023

Super El Niño, ciclone e onda de calor: o clima extremo de 2023

O clima extremo de 2023 fez deste ser considerado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) o ano mais quente já registrado. O “Super El Niño” ganhou destaque nas manchetes como o principal responsável pelas intensas ondas de calor que ocorreram em praticamente todo o globo e apesar do ano ter chegado ao fim, as mudanças climáticas ainda podem estar apenas começando. 

Julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. Foram seis meses consecutivos em 2023 em que tiveram sua maior temperatura histórica registrada este ano. A situação fica ainda pior se levarmos em conta que esse não foi um evento isolado, os últimos cinco anos estão entre os mais quentes já vistos. Entenda os impactos das mudanças climáticas em 2023.

O El Niño é um fenômeno meteorológico que eleva a temperatura do Oceano Pacífico. Como consequência, há recordes de temperaturas em várias partes do globo. Esse tipo de evento costuma ocorrer a cada cinco ou sete anos, mas dessa vez chamou a atenção justamente por sua intensidade, que o fez ser informalmente classificado como “super”.

“El Niño é basicamente uma mudança na força e direção dos ventos alísios que sopram do leste para o oeste no Oceano Pacífico, o que faz com que a água quente encontrada na parte ocidental do Oceano Pacífico se mova para a região central e oriental do Pacífico”, explica Ángel Adames Corraliza, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Wisconsin, nos EUA, à BBC News.

“O aumento das temperaturas nas proximidades do Equador amplia a diferença térmica entre as latitudes equatoriais e polares, o que traz como consequência uma maior intensidade e estabilidade dos ‘jatos’, que são canais de ventos intensos que ocorrem na alta atmosfera e que controlam o comportamento das frentes frias”, diz um trecho da nota do o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.

“Assim, durante anos do El Niño, esses jatos tendem a se posicionar sobre a Região Sul, motivando a alta frequência de passagens frontais sobre essa região e, em decorrência, um maior acumulado pluviométrico”, completa ainda o órgão.

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