
Pesquisadores sugeriram uma nova explicação para diversas ondas de mortes registradas durante a era romana. Segundo um novo estudo, os óbitos teriam sido causados por doenças que se originaram a partir da diminuição das temperaturas.
Os pesquisadores usaram várias pistas dentro dos núcleos para combinar as camadas de sedimentos com anos específicos. Os principais dados vieram do vidro vulcânico, que pode ser quimicamente atribuído a erupções conhecidas, entre elas a do Vesúvio, em 79 d.C., que destruiu a cidade romana de Pompéia.
Para reconstruir a temperatura e a precipitação daquele período, a equipe recorreu a pequenos organismos chamados dinoflagelados preservados no sedimento. No final e início do outono, os dinoflagelados se transformam em um estado de repouso conhecido como cisto, que pode ser preservado no registro fóssil.
Os resultados mostraram um período climático estável entre 200 e 100 a.C., seguido por uma série de eventos de baixas temperaturas. Entre 160 e 180 d.C., por exemplo, houve uma onda de frio intensa e duradoura e que coincidiu com a Peste Antonina, pandemia trazida ao império quando os exércitos romanos retornaram da Ásia Ocidental. A doença foi causada por um patógeno desconhecido que causou sintomas como febre, diarreia e pústulas na pele. Os especialistas acreditam que pode ter sido varíola ou sarampo.
Outro período de frio intenso ocorreu entre 245 e 275 d.C. Novamente, ele coincidiu com uma pandemia, conhecida como a Peste de Cipriano. Os registos históricos revelam que esta doença causava vômitos, diarreia e por vezes putrefação dos membros. Os historiadores também não sabem o que causou a doença, mas especulam que poderia ter sido sarampo, varíola ou algum tipo de febre hemorrágica.
Finalmente, o registo ambiental sugere outra onda de frio após 500 d.C., coincidindo com a Pequena Idade do Gelo da Antiguidade Tardia. Em 541 d.C., o primeiro surto de peste bubônica atingiu o oeste da Eurásia. A Peste de Justiniano, como é conhecida, foi a precursora da Peste Negra que devastaria a Europa no século XIII.
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