Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de fevereiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Criar buracos negros em laboratório mudaria tudo na ciência – e é possível!

Criar buracos negros em laboratório mudaria tudo na ciência – e é possível!

Recriar buracos negros em laboratório mudaria tudo na ciência. Responderia questões sobre gravidade e mecânica quântica. Seria prova empírica da existência de outras dimensões além das que percebemos. E a façanha é possível, segundo artigo escrito por Óscar del Barco Novillo, professor associado no departamento de Física da Universidade de Múrcia (Espanha), publicado no The Conversation.

Para o professor, a máquina “teoricamente capaz” de criar buracos negros é o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) – o maior e mais potente acelerador de partículas existente. “O Cern realiza simulações de buracos negros, mas com base em colisões entre partículas subatômicas que poderiam gerar um microburaco negro ‘real’.”

O professor explica, no artigo, que “simulações de buracos negros em laboratório” geralmente recriam, por meio de sistemas físicos conhecidos, alguma característica de um buraco negro. “Em outras palavras, eles simulam uma qualidade específica do buraco negro (o que é muito útil em termos experimentais), mas não são buracos negros propriamente ditos”, escreve Novillo.

Quando o LHC começou a funcionar, uma suposta falta de segurança dos testes a serem realizados gerou controvérsia. Os principais argumentos apontavam que o colisor poderia criar microburacos negros capazes de crescer às custas da massa do nosso planeta.

Apesar de escrever que a criação de buracos negros no LHC seja teoricamente possível, o professor acrescenta: a possibilidade é muito remota. “Seriam buracos negros muito pequenos (microburacos negros), menores do que o tamanho de um átomo de hidrogênio (em oposição aos supermaciços com milhões de massas solares).”

Assim, o colisor não geraria buracos negros no sentido cosmológico – objeto astronômico com atração gravitacional tão intensa que nem a luz escapa – segundo Novillo. Mas, ainda de acordo com o professor, algumas teorias sugerem ser possível formar pequenos buracos negros “quânticos” a partir da colisão de partículas altamente energéticas. “O que de fato ocorre no Cern são simulações computacionais desses buracos negros.”

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