Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de fevereiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Polêmica astronômica: afinal, já foram descobertas exoluas?

Polêmica astronômica: afinal, já foram descobertas exoluas?

Os astrônomos sempre souberam que encontrar luas fora do Sistema Solar seria uma tarefa difícil. E agora a busca por exoluas ganhou um novo capítulo, com uma pesquisa que contesta uma refutação da existência desses objetos. 

Tudo começou em 2018, quando uma equipe de pesquisadores liderada pelo pós-doutor em astronomia David Kipping, da Universidade de Columbia (EUA), usando dados obtidos pelo Telescópio Espacial Kepler, da NASA, revelou ter encontrado uma lua torno do exoplaneta Kepler-1625b, um mundo semelhante a Júpiter localizado a 8 mil anos-luz de distância.

A exolua foi chamada de Kepler-1625b I, e sua descoberta foi aparentemente confirmada a partir de dados do Telescópio Espacial Hubble.

Em 2022, outra pesquisa, que também incluía Kipping entre seus autores, apontou que haviam descoberto outra exolua em torno do Kepler-1708 b, um gigante gasoso 4,6 vezes mais massivo que Júpiter, localizado a 5,4 mil anos-luz da Terra. Essa nova descoberta recebeu o nome de Kepler-1708 b I.

As duas exoluas são completamente estranhas aos satélites naturais encontrados no Sistema Solar. Isso porque elas são gigantes, tendo de 1,6 a 4 vezes o tamanho da Terra, escala muito mais parecida com uma classe de objetos que chamamos de mini-Netunos. No entanto, até então, parecia certo que a humanidade havia descoberto as primeiras exoluas. Isso, até dezembro de 2023.

A forma utilizada para encontrar essas duas luas é muito semelhante ao método de trânsito utilizado para encontrar exoplanetas, que depende da detecção de uma pequena queda de luz da estrela-hospedeira. O mesmo se aplica às exoluas, se estiverem posicionadas corretamente em torno do planeta que orbitam enquanto este transita pela sua estrela, elas também causarão uma queda de luz, embora em muito menor escala.

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