Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de fevereiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Análise de dentes de dinossauros reescreve história de parte da América do Sul

Análise de dentes de dinossauros reescreve história de parte da América do Sul

Pesquisadores da USP fizeram descobertas importantes sobre o ecossistema da parte central da América do Sul no período entre 60 a 70 milhões de anos atrás. De acordo com as descobertas, dinossauros terópodes (bípedes), geralmente carnívoros ou omnívoros, eram predominantes no local. A região é pouco explorada na paleontologia se comparada com áreas como a Argentina e a Patagônia.

Os pesquisadores reavaliaram 179 dentes isolados recolhidos na Bacia de Bauru (uma unidade geológica do período Cretáceo que abrange os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná, além de uma parte do Paraguai). A partir das análises, eles concluíram que viviam na região dinossauros abelissauros, carnívoros que chegavam a até 7,9 metros de altura.

Foram levantadas duas hipóteses sobre a abundância desses registros arqueológicos. A primeira é que de fato esses animais tinham uma tendência a perder mais dentes, já que, por serem carnívoros, eles acabavam comendo alimentos mais duros e resistentes.

A segunda envolve o clima semiárido, característico da região durante o período Cretáceo, e a prevalência desses dinossauros em ambientes com essas determinadas condições climáticas. Dessa forma, outros dinossauros migravam para outros lugares em busca de alimento.

Se por um lado aqui na parte central da América do Sul temos majoritariamente os abelissauros e, em menor escala, os dromeossauros e megaraptores, na parte sul será o oposto: muitos dromeossauros e megaraptores, e uma frequência menor de abelissauros.

Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

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