
Observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram que dois planetas anões, chamados Éris e Makemake, podem ter atividades geotérmicas o suficiente para sustentarem oceanos de água líquida abaixo de suas superfícies congeladas. A descoberta pode mudar não só o que sabemos sobre esses objetos, como, também, trazer novas esperanças para a possibilidade de vida em Titã, a maior Lua de Saturno.
Por estarem muito distantes no Sistema Solar, pouco se sabe sobre esses planetas anões. No entanto, agora, um estudo usando o James Webb lançou luz sobre a composição do metano congelado em suas superfícies.
O metano é formado por combinação de átomos de carbono e hidrogênio. E esses átomos, mesmo que possuam o mesmo número de prótons, podem conter diferentes números de nêutrons, ou isótopos.
Se o metano presente na superfície desses mundos fosse o disponível no disco protoplanetário em torno do Sol, há 4,5 bilhões de anos, eles teriam razão isotópica entre o hidrogênio regular e o deutério semelhante a de cometas. No entanto, as medições do JWST apontaram algo diferente, indicando que o metano pode ter surgido depois nos planetas anões.
A relação deutério/hidrogênio aponta para origens geoquímicas do metano produzido no interior profundo. Nossos dados sugerem temperaturas elevadas nos núcleos rochosos desses mundos, para que o metano possa ser cozinhado. O nitrogênio molecular também poderia ser produzido e vemos isso em Éris.
Assim, o metano produzido sob as condições de temperatura e pressão nas profundezas do núcleo desses planetas anões provavelmente chegou à superfície por meio da liberação de gases ou atividades criovulcânicas. Essas temperaturas quentes podem acabar sugerindo fontes potenciais de água líquida abaixo da superfície congelada de metano.
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