Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Lua de Júpiter tem menos chance de abrigar vida do que imaginávamos

Lua de Júpiter tem menos chance de abrigar vida do que imaginávamos

A Europa, lua de Júpiter coberta de gelo, não produz tanto oxigênio quanto se pensava. Essa foi a conclusão de pesquisadores, após analisarem dados compilados pela missão Juno, da NASA, num estudo publicado na segunda-feira (04). Isso faz da Europa, a quarta maior lua do planetão gasoso, uma candidata pouco promissora para sustentar vida alienígena.

Até então, estimava-se que a superfície da Europa produzia uma tonelada de oxigênio por segundo. Mas cálculos de um sobrevoo de 2022 na lua jupiteriana revelaram que sua superfície produz 12 quilos de oxigênio por segundo – isto é, apenas 1,2% do que se estimava. Os dados constam no estudo publicado na revista Nature Astronomy.

No entanto, o balde de água fria não apagou totalmente a possibilidade de existir vida alienígena na lua Europa. Os cientistas permanecem otimistas de que a lua, conhecida por ter oceano subterrâneo, pode abrigar vida na forma de micróbios. O físico Jamey Szalay, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Princeton, disse ao New York Times (NYT) que a escassez de oxigênio “não é totalmente proibitiva” para a habitabilidade.

Diferentemente daqui na Terra – onde fotossíntese de plantas, algas e cianobactérias bombeia oxigênio para a atmosfera – na Europa partículas carregadas do espaço bombardeiam a crosta gelada da lua. Isso faz com que a superfície congelada libere moléculas de hidrogênio e oxigênio. “A camada de gelo é como se fosse o pulmão de Europa”, explicou Szalay ao NYT.

Embora atualmente não haja planos para Juno passar pela lua Europa novamente, a próxima missão Europa Clipper, da NASA, será lançada ainda em 2024, com planejamento de chegar à órbita de Júpiter até 2030. Essa missão ajudará a “determinar se Europa possui condições que poderiam ser adequadas para a vida”, de acordo com comunicado publicado pela agência espacial estadunidense.

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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