Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Esses fósseis vivos são mais estranhos do que parecem

Esses fósseis vivos são mais estranhos do que parecem

O termo fóssil vivo é usado para animais que evoluíram pouco desde quando surgiram, permanecendo com aparência semelhante a de milhões de anos atrás. Agora, uma nova pesquisa sobre um grupo de peixes conhecidos como gars, conseguiu explicar porque esses animais ficaram tão para trás na evolução e como isso permite que eles criem híbridos com outras espécies, mesmo elas compartilhando um ancestral que viveu há milhões de anos.

O estudo, publicado na revista Evolution, foi liderado por Chase Brownstein, da Universidade de Yale e usou amostras de DNA de centenas de invertebrados para investigar os gars, animais citados até mesmo por Charles Darwin, em Origem das Espécies.

Atualmente existem sete espécies de gars que se dividem em dois gêneros, a quais foram separados há cerca de 100 milhões de anos. Mesmo estando separados durante todo esse tempo, membros dos dois grupos podem se reproduzir entre si, e gerar descendentes férteis. De acordo com Chase Bronstein, em resposta ao IFLScience, isso seria o equivalente a um chimpanzé produzir um descendente fértil com um canguru, ou avestruz com um merlo.

Uma das explicações de porque gars de dois grupos diferentes podem gerar descendentes férteis, mesmo estando separados por 100 milhões de anos, foi encontrada a partir da análise de DNA de 400 vertebrados com mandíbula. A investigação revelou que a evolução desses peixes primitivos é até três vezes mais lenta em ordem de magnitude do que qualquer outro grupo importante de invertebrados.

Isso significa, que o ancestral comum dos gars pode ser muito mais antigo e ainda produzir descendentes férteis, do que quando comparado com espécies com taxa de mutação genética mais elevada.

Nosso artigo mostra que os fósseis vivos não são simplesmente estranhos acidentes da história, mas fornecem uma demonstração fundamental do processo evolutivo na natureza. Isso mostra que a análise de padrões na história evolutiva dos fósseis vivos pode ter implicações para a nossa própria história. Não só nos ajuda a compreender melhor a biodiversidade do planeta, como também poderá um dia ser aplicado à investigação médica e melhorar a saúde humana.

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