
O Grande Lago Salgado, localizado nos Estados Unidos, pode ter apenas mais alguns anos de vida. Isso em função dos impactos das mudanças climáticas, que acentuaram a seca na região. E o desaparecimento do habitat natural pode ser desastroso para mais espécies do que se pensava até então.
Este é o ambiente mais salino em que nematoides já foram encontrados. Usando uma nova técnica para separar macromoléculas como DNA, RNA e proteínas, os cientistas identificaram nematoides vivos em todos os locais em que coletaram amostras.
A equipe suspeita que esses animais se alimentam das bactérias que também vivem no lago. Como não conseguem cultivar os nematoides em laboratório, os pesquisadores recorreram à lombriga mais estudada de todas (Caenorhabditis elegans) para entender como eles sobrevivem no local.
O resultado foi que existe algo nessa dieta específica que permite que a espécie viva no Grande Lago Salgado. O estudo foi publicado na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.
No entanto, nem isso vai garantir a sobrevivência dos nematoides (assim como dos outros poucos seres vivos que habitam a região). O uso intensivo da água, aliado à grave seca, potencializada pelo aquecimento global, deve fazer com que o lago desapareça para sempre. Alguns cientistas acreditam que o local tem menos de cinco anos de vida antes que o ecossistema entre em colapso completo.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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