
Pesquisadores encontraram artes rupestres pré-coloniais e pegadas de dinossauros que viveram há até 145 milhões de anos no Sítio Serrote do Letreiro, em Sousa (PB). A região já é conhecida por seus achados arqueológicos e, agora, novo estudo indica que as pinturas foram criadas ao redor da pegada, propositalmente, inclusive, imitando os registros fossilizados.
As descobertas, publicadas na Nature, descreve três principais conjuntos rochosos onde pegadas fossilizadas foram encontradas. As marcas pertenciam a dinossauros terópodes, saurópodes e iguanodontianos, que viveram no período Cretáceo Inferior, entre 100,5 milhões e 145 milhões de anos atrás.
Os pesquisadores também encontraram arte rupestre. Segundo o IFLScience, outros achados semelhantes, de pinturas rupestres próximas a pegadas de dinossauros, já foram encontradas antes, mas nunca as artes foram levadas tão em conta como nesta pesquisa. Então, o estudo investigou justamente essa conexão e encontrou 22 símbolos ligados à pegada somente no primeiro conjunto rochoso.
No segundo, eram apenas dois petróglifos (pareciam haver outros, que se tornaram ilegíveis com o tempo). O terceiro conjunto rochoso tinha 30 esculturas, além de bicadas e rastros possivelmente deixados por dinossauros.
Para Aline Ghilardi, que fez parte da pesquisa, a parte curiosa é que os registros foram feitos ao redor das pegadas, com desenhos associados a elas. Ou seja, não só as pessoas desenharam ao redor para não interferir na pegada, mas fizeram referências a elas. Por exemplo, algumas das pinturas rupestres mostram conjuntos circulares, com divisões internas, podendo ser referência ao registro fossilizado.
É inquestionável que os gravadores reconheceram as pegadas e executaram intencionalmente os petróglifos ao seu redor, estabelecendo ligação simbólica entre a expressão gráfica humana e o registo fóssil.
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