Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Meteorito guarda segredos da poeira estelar de supernovas

Meteorito guarda segredos da poeira estelar de supernovas

Um artigo publicado nesta quinta-feira (28) no periódico científico Astrophysical Journal  descreve uma pesquisa conduzida pela Universidade Curtin, na Austrália, que descobriu uma partícula de poeira estelar rara presa em um antigo meteorito.

Agora trabalhando no Instituto de Ciência Lunar e Planetária em colaboração com o Centro Espacial Johnson, da NASA, a autora principal do estudo, Nicole Nevill, liderou uma equipe durante seus estudos de doutorado que aplicou uma técnica chamada tomografia por sonda atômica na análise de meteoritos – resquícios da passagem de rochas espaciais pela atmosfera da Terra.

Os meteoritos são compostos principalmente de material formado no Sistema Solar, mas também podem conter minúsculas partículas que se originam de estrelas nascidas muito antes do nosso Sol. Indícios de que essas partículas, conhecidas como grãos pré-solares, são relíquias da morte de outras estrelas – explosões de supernovas – são encontrados analisando os diferentes tipos de elementos dentro delas.

Por meio da tomografia por sonda atômica, a equipe liderada por Neville identificou uma dessas partículas em um meteorito, reconstruindo sua química em escala atômica, de modo a acessar as informações ocultas internas. “Essas partículas são como cápsulas do tempo celestes, fornecendo um instantâneo da vida de sua estrela-mãe”, disse Nevill em um comunicado.

Ela explica que o material criado em nosso sistema solar tem proporções previsíveis de isótopos – variantes de elementos com diferentes números de nêutrons. “A partícula que analisamos tem uma proporção de isótopos de magnésio que é distinta de qualquer coisa em nosso sistema solar”.

Para David Saxey, pesquisador do Centro John de Laeter em Curtin, essa pesquisa, da qual é coautor, está abrindo novos caminhos para entendermos o Universo, ultrapassando os limites de técnicas analíticas e modelos astrofísicos. “A sonda atômica nos deu todo um nível de detalhes que não conseguimos acessar em estudos anteriores”.

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