Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Tartarugas estão ficando mais doentes por causa da poluição

Tartarugas estão ficando mais doentes por causa da poluição

Uma condição que afeta as tartarugas é mais um dos indicativos de que os mares estão excessivamente poluídos. A nova pesquisa do Laboratório de Patologia Comparada de Animais Silvestres (Lapcom) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, que mapeou a ocorrência de tumores nesses animais, relacionou a evolução da doença com diferentes fatores, entre eles a poluição.

A fibropapilomatose é uma condição que afeta as tartarugas-marinhas, causada pelo vírus Chelonid alphaherpesvirus 5 (ChHV-5). Ela se manifesta através de tumores benignos na pele, semelhantes a verrugas. Embora não seja um tipo de câncer, os tumores podem ser tão grandes a ponto de impedir atividades básicas, levando à morte por incapacidade de alimentação ou movimento.

Os tumores podem crescer na cabeça, pescoço e nadadeiras da frente. A hipótese é de que a infecção seja transmitida pela saliva, quando os animais se bicam.

A poluição ambiental, proveniente de esgoto, substâncias químicas derivadas de petróleo e inseticidas, está associada ao aumento da incidência de tumores em tartarugas-marinhas. Praias contaminadas, as mesmas que a população frequenta, onde esses animais se alimentam e habitam, contribuem para o desenvolvimento da fibropapilomatose.

A temperatura elevada da água também favorece o crescimento dos tumores e a transmissão do vírus entre as tartarugas, já que a água quente atrai muitos animais para um mesmo espaço.

No Espírito Santo, a área que a pesquisa investigou o vazamento de resíduos da barragem da Samarco em 2015 e o refluxo de água das usinas de siderurgia aumentam a poluição na região, um fator que potencializa a recorrência cada vez maior dos casos.

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