
Uma lua de Júpiter em violenta turbulência há quase 4,6 bilhões de anos é o corpo mais vulcânico do nosso Sistema Solar. A descoberta foi feita por uma equipe de cientistas que examinou a lua jupteriana “Io” para rastrear enxofre e cloro na sua atmosfera.
“A superfície de Io é muito ‘jovem’, o que significa que os fluxos de lava e os depósitos de plumas vulcânicas cobrem quaisquer características com mais de 1 milhão de anos. Portanto, anteriormente não foi possível aprender nada sobre a história vulcânica de Io para além dos últimos milhões de anos, o que é muito recente do ponto de vista geológico“, explicou a especialista ao Space.com.
O extremo vulcanismo depende exclusivamente de uma dança gravitacional rítmica das 3 luas que orbitam Júpiter. O empurrão e a atração gravitacional de Júpiter, Europa e Ganimedes em Io geram forças de maré tão intensas que podem fazer com que a superfície da Lua suba e desça em alturas de até 100 metros.
Para encontrar pistas, os pesquisadores usaram o ALMA, um conjunto de 66 antenas de rádio no deserto do Atacama, no norte do Chile, para procurar evidências na atmosfera de Io. Eles procuraram rádios isotópicos estáveis de moléculas contendo enxofre e cloro.
A equipe descobriu que ambos os elementos estão mais presentes em variantes de isótopos pesados — átomos com maior número de nêutrons — em comparação com o valor médio encontrado em todo o sistema solar.
Em Io, o vulcanismo faz com que o material seja continuamente reciclado entre o interior da lua e a sua atmosfera, como resultado disso, a lua jupiteriana perdeu entre 94% e 96% dos seus isótopos de enxofre mais leves. Isto é algo que só teria sido possível face a milhares de milhões de anos de vulcanismo que remontam ao nascimento da lua jupteriana.
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