
O campo magnético da Terra se formou nos primeiros bilhões de anos de existência do planeta. Pelo menos, é o que sugerem evidências descobertas recentemente. A revelação é crucial pois se aproxima de responder à questão debatida há muito tempo sobre a origem do campo magnético da Terra e sua correlação com a formação inicial do planeta.
O campo magnético da Terra protege parcialmente o planeta da radiação solar. Por isso, é considerado essencial para a formação e manutenção da vida. Enquanto planetas gigantes como Júpiter possuem campos magnéticos poderosos, a prevalência desses campos em planetas rochosos ainda é uma questão de debate. Para você ter ideia, a raridade ou a fraqueza desses campos poderia limitar a possibilidade de vida avançada em outros planetas da galáxia.
O estudo que aponta as evidências em questão, publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth, oferece uma visão fundamental sobre a história magnética da Terra e suas implicações para a evolução geológica e biológica do planeta.
A busca pelas origens do campo magnético da Terra tem sido uma prioridade para os geólogos. As rochas podem preservar evidências da formação do campo, mas essas evidências podem se perder se as rochas se aquecerem o suficiente para alterar a orientação de partículas de ferro internas. Agora, cientistas encontraram pistas em algumas das rochas mais antigas e preservadas do planeta.
O Cinturão Supracrustal de Isua, na Groenlândia Ocidental, é composto por alguns dos primeiros materiais da crosta continental e tem partes que permaneceram relativamente inalteradas pelo processamento geológico. Esta região, apesar de ser um dos locais mais inóspitos para pesquisas de campo, provou ser fundamental para compreender melhor a história magnética terrestre.
As formações de ferro bandado (tipo de rocha) do Cinturão de Isua mostram a direção e, em certa medida, a intensidade do campo magnético durante sua formação. A magnetita (mineral ferromagnético mais importante da natureza e presente em rochas ígneas, sedimentares e metamórficas) nessas formações se alinha na direção do campo magnético, similar a limaduras de ferro ao redor de um ímã.
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