Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 25 de abril de 2024 · 2 min de leitura ·

Como passado da Antártica ajuda a entender futuro do clima, segundo estudo

Como passado da Antártica ajuda a entender futuro do clima, segundo estudo

Um estudo recente sobre a camada de gelo da Antártica Ocidental mostra que essa região, embora estável nas últimas décadas, apresentou mudanças significativas há milhares de anos. A pesquisa – sobre a qual Dan Lowry (GNS Science) e Holly Han (NASA) escreveram um artigo, publicado no The Conversation – aponta um recuo antes de um avanço. E isso pode ajudar a entender consequências das mudanças climáticas.

Em suma, os pesquisadores explicam que a camada de gelo recuou centenas de quilômetros há aproximadamente sete mil anos – e, ao longo dos últimos dois mil anos, avançou para sua posição atual. Essa flutuação é crucial para entender como as mudanças futuras podem ocorrer em resposta ao aquecimento global.

A pesquisa enfatiza a importância de prevenir o aquecimento oceânico antes que ele ocorra – o que ainda é possível por meio da escolha de um futuro de baixas emissões. Tal abordagem poderia evitar repetições das mudanças dramáticas observadas milhares de anos atrás na camada de gelo da Antártica Ocidental.

A pesquisa explorou duas hipóteses principais para explicar o recuo e avanço histórico da camada de gelo.

A primeira teoria relaciona-se com a resposta da crosta terrestre às mudanças na massa da camada de gelo. Conforme a camada de gelo se reduzia, a crosta abaixo dela se elevava lentamente. Simultaneamente, o nível do mar próximo diminuía devido à redução da atração gravitacional entre a camada de gelo e a água do oceano.

A segunda hipótese considera as mudanças oceânicas como fatores determinantes. A formação de gelo marinho expulsa sal para camadas inferiores de água, tornando-as mais pesadas e impedindo a mistura com correntes oceânicas quentes que poderiam derreter o gelo da plataforma. Análises de sedimentos e núcleos de gelo sugerem que essa mistura era menos intensa no passado quando a camada de gelo recuava.

Compartilhe