Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Rastro de amônia em anã marrom pode explicar formação de exoplanetas

Rastro de amônia em anã marrom pode explicar formação de exoplanetas

Uma equipe de astrônomos do Telescópio Espacial James Webb (JWST) encontrou isotopólogos – moléculas de diferentes composições isotópicas – de amônia em uma anã marrom. A descoberta, publicada na revista Nature, pode ajudar futuramente a compreender como ocorre a formação dos planetas gigantes gasosos.

Os pesquisadores usaram o Instrumento de Infravermelho Médio (MIRI) do telescópio para detectar os isotopólogos na atmosfera da WISE 1828+2650, anã marrom fria localizada na constelação de Lyra, a cerca de 32,5 anos-luz de distância da Terra. Estima-se que a temperatura da anã marrom seja de apenas 100 ºC (ou 212 ºF).

Além de vapor de água, metano e amônia – elementos básicos das atmosferas de gigantes gasosos e anãs marrons -, a equipe do JWST identificou dois isotopólogos diferentes de amônia. Em um deles, o átomo de nitrogênio conta com sete prótons e sete nêutrons, sendo chamado de 14NH3. O outro isotopólogo apresenta sete prótons e oito nêutrons e é denominado 15NH3.

Os astrônomos identificaram uma proporção de 670 para 1 de 14NH3 em relação ao 15NH3 – ou seja, a atmosfera da anã marrom fria apresenta 670 isótopos 14N para cada isótopo de nitrogênio 15N. A proporção na Terra, por exemplo, é de 272 para 1.

A equipe acredita que os 15N extras tenham vindo de cometas, que, naturalmente, apresentam concentrações mais altas de 15N. Agora, os pesquisadores pretendem usar o telescópio James Webb para tentar identificar a proporção dos isotopólogos de amônia em alguns exoplanetas gigantes e, com sorte, solucionar o grande mistério sobre sua formação.

Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.

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