Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Universo seria um imenso buraco negro dentro de outro Universo

Universo seria um imenso buraco negro dentro de outro Universo

Buracos negros são objetos misteriosos que, mesmo com tantos avanços científicos, continuam desafiando a compreensão humana. Para resolver alguns dos paradoxos associados a eles, físicos têm proposto hipóteses intrigantes. Uma dessas teorias sugere o Universo em que vivemos poderia estar dentro de um buraco negro que habita um Universo ainda maior.

Os buracos negros se formam quando estrelas massivas colapsam, criando regiões onde a gravidade é tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar. Estes objetos apresentam um problema para a termodinâmica. O estado final de um buraco negro, quando atinge o equilíbrio, é determinado por três parâmetros: massa, momento angular e carga elétrica.

Em um estudo recente, o astrofísico francês Jean-Pierre Luminet explica que, na relatividade geral clássica, um buraco negro impede qualquer partícula ou radiação de escapar. Para um observador externo, quando um corpo atravessa o horizonte de eventos, todas as informações sobre suas propriedades materiais são perdidas, restando apenas massa, momento angular e carga elétrica. Assim, um buraco negro engole uma enorme quantidade de informações.

Embora isso pareça simples, há uma complicação. Se um buraco negro tem massa, ele deve ter uma temperatura, conforme a primeira lei da termodinâmica, e pela segunda lei, deve irradiar calor. Stephen Hawking mostrou que os buracos negros emitem radiação – a radiação Hawking – no limite de um buraco negro.

Hawking apontou um paradoxo: se um buraco negro pode evaporar, parte da informação contida nele se perde para sempre. Luminet explica que a informação na radiação térmica emitida por um buraco negro é degradada e não recapitula informações sobre a matéria que o buraco negro engoliu. Essa perda irrecuperável de informações entra em conflito com a mecânica quântica, que postula que os sistemas físicos não podem criar ou destruir informações – uma propriedade conhecida como unitaridade.

Este é o paradoxo da informação do buraco negro, que desafia nossa compreensão atual do Universo e tem sido objeto de intenso estudo e debate. Uma solução proposta veio da termodinâmica de buracos negros no contexto da teoria das cordas. Gerard ‘t Hooft mostrou que os graus de liberdade dentro de um buraco negro são proporcionais à área da superfície de seu horizonte, não ao volume, permitindo observar a entropia do buraco negro.

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