Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Enigma do “ponto frio”: conheça o mistério do Universo que já dura 20 anos

Enigma do “ponto frio”: conheça o mistério do Universo que já dura 20 anos

Há um enigma intrigante no Universo jovem: o ponto frio. Essa anomalia na radiação cósmica de fundo (CMB) é grande e extremamente fria, e ninguém sabe exatamente por quê. Mas, desde os anos 2000, todos concordam que vale a pena investigar.

A CMB é a radiação remanescente do Big Bang, emitida quando o Universo tinha apenas 380 mil anos. Naquela época, o cosmos era um milhão de vezes menor do que é hoje e tinha uma temperatura superior a 9,7 mil graus Celsius, fazendo com que todo o gás fosse plasma. À medida que o Universo se expandiu e esfriou, o plasma se tornou gás neutro, liberando uma enxurrada de luz branca-quente. Bilhões de anos depois, essa luz esfriou para cerca menos 270ºC, caindo na banda de micro-ondas do espectro eletromagnético.

Quase perfeitamente uniforme, a CMB apresenta pequenas flutuações de temperatura de aproximadamente uma parte por milhão. Essas imperfeições, que aparecem como manchas de vários tamanhos e formas, são extremamente importantes para os cientistas. Não se pode prever exatamente onde essas flutuações ocorrerão, pois a luz que vemos vem de uma parte do Universo agora inacessível à nossa observação direta.

Para entender a CMB, precisamos confiar em estatísticas. Não sabemos exatamente onde as manchas aparecerão, mas podemos usar a física para determinar o tamanho médio e as variações de temperatura dessas manchas.

A maioria das características da CMB faz sentido dentro da nossa compreensão do Universo. Temos construído telescópios e satélites cada vez mais sofisticados para obter uma visão melhor da CMB, e isso tem sido um grande sucesso científico. Exceto pelo ponto frio.

Existem muitos pontos frios na CMB, mas um deles – “o” ponto frio – é especialmente notável. Ele se destaca visualmente em mapas da CMB, aparecendo na direção da constelação de Eridanus. Esse ponto frio é anormalmente frio. Dependendo de como definimos suas bordas, ele é cerca de 70 microkelvins mais frio que a média, comparado aos 18 microkelvins dos pontos frios comuns. Nas partes mais profundas, é 140 milikelvins mais frio.

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