
Já fortemente atingido por enchentes históricas, o Rio Grande do Sul voltou a registrar chuvas extremas nesta semana. Em menos de 12 horas, nesta quinta-feira (23), choveu o esperado para todo o mês de maio em algumas cidades gaúchas, inclusive na capital Porto Alegre.
Segundo pesquisadores, o que está acontecendo no estado gaúcho confirma os alertas de um estudo liderado por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em colaboração com o Met Office, o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido.
A pesquisa afirma que a região Sul do Brasil vem apresentando, desde 1950, tendência de aumento nas ocorrências de chuvas extremas. O trabalho foi publicado na revista Earth and Space Science.
As observações feitas por meio desse estudo apontam para uma tendência de aumento na frequência e na magnitude de extremos de precipitação, deflagradores de processos geo-hidrológicos, como inundações, particularmente na região Sudeste da América do Sul – que inclui o Sul do Brasil.
Os pesquisadores utilizaram um conjunto de dados obtidos por meio de estações de observações meteorológicas terrestres situadas em todo o mundo para avaliar indicadores de extremos climáticos que ocorreram em diferentes partes do planeta entre 1950 e 2018. Os resultados indicaram que a região Sul do Brasil apresentou nesse período grandes áreas contíguas com dias de chuva intensa, acima de 10 milímetros, e com aumentos significativos, de cerca de 2 milímetros por década.
De acordo com o trabalho, o aumento da temperatura média do planeta, consequência das mudanças climáticas, pode elevar a umidade da atmosfera e acelerar o ciclo hidrológico, gerando chuvas mais intensas.
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