Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de junho de 2024 · 2 min de leitura ·

Palácio foi construído usando sangue na África

Palácio foi construído usando sangue na África

A construção de um palácio localizado na cidade de Abomey, no Benim, foi feita de forma diferente de tudo o que você já viu. Um recente estudo confirma que a estrutura, que fica na África Ocidental, foi erguida com o uso de sangue.

Por anos, pensava-se que todas estas eram, na verdade, histórias fantasiosas que resistiram ao tempo. No entanto, um novo estudo parece ter descoberto o que aconteceu no período. Segundo os pesquisadores, o material aglutinante encontrado nas paredes do palácio não é uma argamassa padrão. Análises confirmaram que se trata de mistura de óleo vermelho, água e sangue.

As vítimas provavelmente eram escravos ou prisioneiros capturados de povos rivais. No total, teria sido usado o sangue de 41 pessoas que foram sacrificadas. O número, explicam os cientistas, é considerado sagrado no vodu.

De acordo com a cultura local da época, e que ainda resiste aos dias de hoje, as ofertas de sangue combinadas com orações e água sagrada podem ser usadas para erguer edifícios ou animar estruturas de madeira conhecidas como fetiches. Nesse caso, o tributo sacrificial foi “encarregado de proteger o que resta da essência sutil do rei falecido”.

Para determinar a composição exata da argamassa, os autores do estudo utilizaram espectrometria de massa em tandem de alta resolução, que permitiu caracterizar as proteínas dentro do revestimento. Eles detectaram vestígios de trigo, que só foi cultivado na África subsaariana muito depois da morte de Ghezo.

Eles observam, no entanto, que o rei era um grande fã do imperador francês Napoleão III, que muitas vezes enviava presentes diplomáticos, como tecidos, armas e búzios do Benim para a França. Portanto, é possível que o trigo tenha sido enviado de lá. Os resultados das análises também confirmaram a presença de hemoglobina e imunoglobulinas tanto de humanos quanto de galinhas.

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