Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de junho de 2024 · 2 min de leitura ·

Luz roxa bizarra no céu tem uma irmã gêmea

Luz roxa bizarra no céu tem uma irmã gêmea

Uma estranha faixa roxa do céu noturno, conhecida como STEVE, parece ter um irmão gêmeo que aparece pelo amanhecer. A descoberta foi feita a partir do trabalho em conjunto entre um fotógrafo e pesquisadores. 

A luz roxa conhecida como, strong thermal emission velocity enhancement, ou STEVE, foi descoberta em 2016 enquanto um grupo de observadores de aurora amadores capturaram uma faixa roxa misteriosa em meio a luz verde e vermelha das auroras. Pesquisadores resolveram investigar esses avistamentos a partir de dados coletados pelo trio de satélites Swarm, da ESA.

As observações revelaram que a luz roxa não era uma aurora, mas sim uma faixa de gás carregado com 25 quilômetros de largura e com temperaturas próximas aos 3 mil graus Celsius, categorizada como “deriva de íons subaurorais”. O gás estava fluindo antes da meia-noite, de leste para oeste a cerca de 6 quilômetros por segundo, mais lento que o restante dos gases atmosféricos ao redor, que viajam a 10 quilômetros por segundo.

Os pesquisadores sabiam que existia fluxo de gás gêmeo que flui do oeste para o leste pouco antes do amanhecer, no entanto, nenhuma luz colorida como o STEVE ainda havia sido detectada, pelo menos não até agora.

A descoberta dessas luzes gêmeas começou com o fotógrafo norueguês Gabriel Arne Hofstra examinando o banco de dados de imagens da câmera digital de todo o céu na Estação de Pesquisa Ramfjordmoen, no Círculo Polar Ártico. Foi aí que em uma filmagem da madrugada de 28 de dezembro de 2021 que o fotógrafo viu uma faixa de luz roxa semelhante a STEVE.

Em um estudo publicado em abril na revista Earth, Planets and Space, pesquisadores da Universidade de Eletrocomunicações do Japão, do Instituto Sueco de Física Espacial e da Universidade Ártica da Noruega se juntaram para analisar a luz roxa descoberta por Hofstra e investigar se algum satélite também havia observado o fenômeno. Dados coletados por dois satélites Swarm mostram que a listra roxa no céu com certeza era causada pela corrente de gás quente que ia em direção ao leste: o gêmeo do STEVE.

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