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Julia Monteiro
Julia Monteiro
Inteligencia Artificial · · 2 min de leitura ·

Sistema do Google inventou uma língua própria que humanos não entendem

Sistema do Google inventou uma língua própria que humanos não entendem

O que você precisa saber

O Google divulgou ontem em seu blog de pesquisa que a inteligência artificial responsável pelo Google Tradutor desenvolveu, sem interação humana, uma língua própria para si. A “descoberta” ocorreu quando a empresa estudava um recurso chamado de “zero-shot translation”, e os resultados dessa pesquisa (incluindo a descoberta da língua) foram publicados em um artigo (pdf).

Em setembro, o Google começou a usar redes neurais em seu Tradutor, criando um sistema chamado de Google Neural Machine Translation. Basicamente, o sistema aprende a traduzir a partir de milhões de exemplos diferentes e consegue atingir precisão quase humana. Segundo a empresa, o Tradutor atualmente entende 103 línguas e traduz mais de 140 bilhões de palavras por dia – e aprende com elas.

Para funcionar, o sistema é treinado na tradução de frases específicas de uma língua para outra. Por exemplo, ele precisa traduzir de inglês para coreano, ou de inglês para japonês (e vice-versa). Esse treinamento envolve o uso de milhões de exemplos de traduções previamente validadas, a partir das quais a máquina aprende como a relação de palavras muda entre essas duas línguas.

Mas se o sistema é capaz de traduzir do inglês para japonês e do inglês para o coreano, seria ele capaz de traduzir do japonês para o coreano sem passar por inglês? Se sim, essa tradução seria uma “zero-shot translation”, e foi ela que motivou a pesquisa dos desenvolvedores do Google Tradutor. O GIF abaixo ilustra essa possibilidade, e a “zero-shot translation” aparece em laranja:

Surpreendentemente, o sistema de tradução conseguiu ir do japonês ao coreano sem ter sido treinado especificamente. “Nós interpretamos isso como um sinal da existência de uma interlíngua dentro da rede”, disseram os pesquisadores. Em outras palavras, a inteligência artificial teria criado uma língua própria que lhe permite trafegar entre duas línguas nas quais ela não foi previamente treinada, sem precisar passar por uma terceira língua conhecida.

De acordo com o TechCrunch, essa interlíngua parece existir num nível mais profundo de representação. Nesse nível, é possível ver semelhanças entre as línguas diferentes – mesmo as desconhecidas – com facilidade. No entanto, por tratar-se de uma rede neural (sistemas que são normalmente muito pouco acessíveis, até para seus criadores), é difícil dizer mais sobre ela.

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