
Você já deve ter visto, inclusive aqui no Olhar Digital, várias imagens feitas de superfícies de outros planetas ou luas que se assemelham à foto em destaque. No entanto, esse registro obtido do espaço mostra um pedaço aqui da Terra mesmo – e um lugar bem conhecido: o Deserto do Saara.
Mais precisamente, a Bacia de Tanezrouft, uma área hiperárida situada no sul da Argélia e norte do Mali. Este vasto pedaço de deserto é um dos ambientes mais inóspitos do planeta.
Recebendo menos de 5 milímetros de chuva por ano, a região atinge temperaturas que podem ultrapassar 50ºC durante o verão, de acordo com o Observatório da Terra da NASA.
Viver na Bacia de Tanezrouft é quase inimaginável. A vida por lá é praticamente inexistente, exceto por alguns nômades tuaregues que, ocasionalmente, cruzam essa desolação em caravanas, seguindo rotas ancestrais de mais de 1.500 anos. Uma jornada, aliás, extremamente perigosa, devido à ausência de pontos de referência, o que pode levar até os viajantes mais experientes a se perderem. Não é à toa que o lugar é conhecido como a “Terra do Terror”.
O que torna a Bacia de Tanezrouft ainda mais fascinante são as suas características geológicas reveladas após milhares de anos de tempestades de areia. Essas tempestades removeram sedimentos e areia, expondo antigas dobras concêntricas no leito rochoso de arenito, datadas da era paleozoica (541 a 252 milhões de anos atrás).
Tais formações geológicas, salpicadas de salinas esverdeadas localizadas em cânions íngremes, criam um espetáculo visual impressionante visto da órbita da Terra. Como descreve a NASA, “as características geológicas expostas criam uma obra de arte abstrata impressionante”.
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