Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de julho de 2024 · 2 min de leitura ·

Geleiras colapsadas da Antártica são reconstruídas com mil fotos históricas

Geleiras colapsadas da Antártica são reconstruídas com mil fotos históricas

Em março de 2002, a plataforma de gelo Larsen B, localizada na Antártica, desmoronou de forma catastrófica, destruindo uma área de aproximadamente 12 mil km2. Esse evento marcou uma mudança significativa na dinâmica das geleiras da região, destacando as implicações das mudanças climáticas no aumento do nível do mar. 

Um estudo recém-publicado na revista Scientific Reports revelou detalhes importantes sobre como essas geleiras se comportavam antes do colapso, utilizando quase mil imagens da Antártica capturadas desde a década de 1960. Esses registros permitiram aos cientistas calcular com precisão a contribuição dessas geleiras para o aumento global do nível do mar.

Embora a Antártica pareça distante, as mudanças em suas condições podem ter um impacto profundo em todo o planeta. As plataformas de gelo funcionam como barreiras naturais que retardam o fluxo das geleiras para o oceano. Quando uma plataforma de gelo colapsa, as geleiras que antes fluíam lentamente aceleram seu derretimento, transferindo grandes volumes de gelo da terra para o oceano, o que contribui para a elevação do nível do mar.

O colapso da Larsen B aconteceu após anos consecutivos de temperaturas excepcionalmente elevadas, e o processo foi rápido, ocorrendo ao longo de apenas uma semana. As geleiras que antes escoavam lentamente para a plataforma foram profundamente afetadas. Desde então, elas têm sido monitoradas de perto, mas as observações detalhadas sobre o estado delas antes de 2002 eram escassas.

Felizmente, um arquivo de mais de 300 mil imagens históricas da região, capturadas a partir de 1968, se mostrou inestimável para os cientistas. Essas imagens, armazenadas pelo Centro Geoespacial Polar da Universidade de Minnesota, permitiram a criação de modelos tridimensionais precisos das geleiras, usando uma técnica chamada fotogrametria. Esse método combina fotos sobrepostas tiradas de diferentes ângulos para construir uma representação tridimensional do terreno, semelhante à maneira como nossos olhos percebem profundidade.

“Criamos modelos 3D precisos e em escala real de cinco geleiras na área de Larsen B usando uma técnica chamada fotogrametria. A fotogrametria tradicional usa duas fotos sobrepostas de diferentes ângulos para criar uma superfície 3D – como nossos dois olhos podem visualizar objetos em três dimensões”, explicou Ryan North, pesquisador PhD em Geomorfologia Antártica na Universidade de Wollongong, na Austrália, ao site Space.com.

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