
O ouro é considerado uma das principais fontes de riqueza há milênios. Por isso, as minas para a extração do metal continuam em operação até hoje. No entanto, elas estão ameaçando um dos últimos rios de salmão selvagem que restam no mundo, bem como os povos indígenas que dependem do local para sobreviver.
A Comissão Transfronteiriça Indígena do Sudeste do Alasca argumenta que a ameaça da mineração rio acima viola seus direitos à cultura, saúde física e bem-estar, meios de subsistência e propriedade. As tribos alegam serem as “guardiãs de alguns dos últimos lugares selvagens que restam no mundo ainda não explorados pela indústria extrativa”.
Um dos maiores projetos de extração é o Projeto de Revitalização de Eskay Creek na Colúmbia Britânica. Essa mina a céu aberto promete produzir aproximadamente 3,7 milhões de toneladas por ano de minério de ouro e prata.
No entanto, os indígenas afirmam que a construção pode causar impactos severos no meio ambiente a partir da liberação de substâncias tóxicas. Essa argumentação é baseada em um estudo que analisou o desastre da mina Mount Polley, em 2014, quando uma barragem de rejeitos colapsou na Colômbia Britânica, causando prejuízos aos animais.
Eles ainda destacam outro estudo que afirma que, mesmo que as barragens não cedam, as construções podem causar mudanças duradouras na química da água e dos sedimentos por centenas de quilômetros, causando impactos igualmente catastróficos à vida animal.
Alessandro Di Lorenzo é editor do Olhar Digital e formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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